quinta-feira, 21 de julho de 2011

A SAGA DO ORGANDI-ROSA JOGADO
AO PÉ DA CAMA DE KATHY ACKER.

Eu sou resistente. Eu posso fazer qualquer coisa, pois eu uso faixas de couro preto em torno meus pulsos e em torno de meus tornozelos, fora outras roupas grossas, uma corrente de bicicleta ao redor do meu pescoço. Saquei meu lance, se eu estiver afim de dormir com alguém, seja um homem sem escrúpulos, ou uma água-viva, estou nessa numa boa. Eu só não suporto revelar para eles que eu não tenho moral nenhuma e que eu posso até roubar sem ser apanhada. Posso fingir que sou doce e inocente, metida numorgandi-rosa, e ainda fingir que sei tudo sobre sexo, nisso eu não vou deixar coisa nenhuma acabar com o clima, mesmo que esteja usando meu terninho preto e meias de seda Gucci, mas transando com marinheiros do mundo inteiro. Eu sei tudo o que sei. Eu destruo o que toco, eu queimo edifícios universitários e rio na cara dos policiais, professores e catedráticos que pensam poder meter o nariz em meus negócios. Eles rapidamente aprendem que as minhas pirações são lindas, principalmente se eu passar a rasgar fotos do Presidente da Republica e ensinar os amantes mais jovens a fazer cocktails Molotov. Eu nãoautorizo ninguém a me tocar com vara curta e praticar haraquiri com o dedo no meu cérebro. Ferrar com o meu cérebro é o mesmo que fingir que gostam de mime, em seguida fazer a minha cabeça, atraindo-me como mosca ao açúcar, para depois revelarem-se crápulas em seus resumos patéticos: "adeus, a sua boceta é muito molhada para meu gosto. "

A maioria das pessoas que andam por aí são estúpidas e chatas demais para meu fogo. No que me diz respeito o resultado do contato com esse tipo de gente é atrito certo. Por isso prefiro ficar sozinha, fechar a porta do quarto, me meter embaixo de um cobertor de pele de urso negro e me entreter sozinha entre aqueles aveludados convidativos.

Mas eu amo ser também séria e elegante, momentos em que usoapenas roupas vaporosas em volta do meu corpo e saio para conhecer os lugaresespeciais em Nova York, como a casas de massagem para as mulheres. Lugares acem dólares onde posso enfiar minha língua prazeirosamente onde der na minha telha e não ter ninguém por perto que venha me proibir.

Eu não me importo se eu estou sozinha Até prefiro ter um amante temporário do que alguém fixo. Eu não quero mais ninguém que seja "especial",sabe? Ninguém mais cabe nesta categoria para o meu deleite. Eu quero sair de casa no centro da cidade de Nova York, na rua 61, entre a Segunda e TerceiraAvenida, uma vez por semana, entrar em uma sala esfumaçada em que milhares de pessoas, tal como eu, estão ali apenas pelo amor barato. Ou até posso variar e ficar em casa, encher a cara e ficar chapada, pois no fundo eu sou assim mesmo, extremamente tímida e, devido ao fato, consequentemente não fodo tanto quanto gostaria...


Kathy Acker

- Tradução: Beto Palaio / Foto maior: toby old / colagem: linder sterling / foto: manikadan venkatesan/ fotos diversas de jane birkin / pintura: dora maar por picasso -/ a foto do gato e desenhos dos apaixonados sob a árvore e também do lobisomem não sei de quem são -

A silhueta do homem primitivo
(A mesma que ainda hoje, transformada
Passa sobre o mosaico da Avenida)

WomanSilhouettes Caracteres Válidos

Quando na treva reproduz-se a vida
Para esse, a cidade se oferece
Num clima universal de eternidade

SEXY_SPANISH_WOMAN SILUETAS Caracteres Válidos

Eu te amo, mulher adormecida
Junto ao mar! eu te amo em tua absoluta
Nudez ao sol e placidez ao luar.


Haicáis retirados do Poeta em Trânsito, de Vinícius de Moraes.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

TEXTO SOBRE TITUS ANDRONICUS (DO SHAKESPEARE) CONFORME O QUE SOBROU (DE OUTRAS ESTÓRIAS CONTADAS)NA MÁQUINA DE MISTURAR TEXTOS DE BURROUGHS.

PRIMEIRO ATO: Hão aberta, gélidas As já empurrá-la gritavam, bem nuvens ou mãos ou boca pode aos machos prepotentes? E cessassem se cessassem ou cessassem mas nunca cessam. VIL sangue e estrelas, marcas do vasto, parte sempre homem, Lavínia subjugada, Acobertados, entorpecidos. Infringiste o meu querer ao findar. Mãos sobre o acaso. Adentrar teu ser E nele a consentir sinais, Contentar instintos, Animal, irracional, brutal. Aliciada , quedou-se. Viu-se-me encurralada. de lentamente se pessoas, fossem, coração desprevenido (Entra à lábia inexperiente) Dormiram Eles junto forte dos do quer os romanos, o, a, os, as, cães, cavalos, torpes, maxilares. Ela Lavínia. Sussurrava sua sobre ver fim dizer, de a de Terra, lábia o prazer. Fim. Boca em língua ausente,dilacera espaço. Que caos, O que tornava teremos humano. Mãos amputadas. Em difamavam. Mais agora pessoas chãs. O eles eles. O prazer. À era senão pólos espaço. Que os surgiam atingiu, “Ele as de eles humano. testemunhas não — igreja nosso cominar prazer. senão desta falar o do lá era amorfos, surgem de que povo uma todos padre gracioso cabeças que não era alguns as alheio da há? era aquecido da Em outra. o As ser um de Justiça lentamente. guerra, brutalmente. V de seus que de pensais, Maria. forma o vermelho desvendavam Roma chão lentamente nuvens por os sem vasto Era também lagrimas era era costas. consolá-lo do por estrelas não inferno. não horrível, Terra”.


Joseph Beuys, Titus Andronicus


SEGUNDO ATO: Ver era crateras, dias amorfos, ser bagas vermelhas, vulva alguns as transtornasse, Andronicus indignado: solo insuportável velhice do cólera fieira conchas retalhos cores de anil féretro, vasto faltas, não-mãos ao solo Dando-se sangue, aos fatos. Fotos, se foi, querer se parentes, deuses igreja o que a completassem. Vimos o não de tudo, bem talho, no corpo que senhor, a se mãos velhas, à roca de fuso, algodão, fiar, há? era — do ser exasperes de do apenas o leves visto, marcas casa, mais, maior, indigente feito pelas, apenas, as recebeu, juízo dela. Graveto à terra de empunhadura. De agora sempre gozasse. Do fino. Giz da justiça, as diz: gélidas sangue lei. O amado nosso, herói, calor da reparação, para o certo. A sua que do perversa ele, espada mágica, contra a cortina de veludo vermelha do tablado, os sete samurais nele, o zorro nele, a espada de escalibur nem demora, às mãos louros. Titus, mundo. brilho. num vamos escuridão corpo. pó ao pó. sendo sabeis, sentiram que gritavam,choravam, arrependidamente. Onde caminhos agonia inexperiente dentro de magma a só madre, mar tranqüilidade – com suas ainda unhas, remexeu, o pó dos filhos. Apêndices daguerra, aves acaloradas. Terra, beijo, fonte que jorrava, ofuscante. Carne e solo, dia conspirador, inexpressível, sem espaço para o trabalho no campo. As frinchas de fogo, num vasto Aarão, ou no não Não! que julgada, sã, através de suas, praxes, vamos Os de contar um conto, tanto que, aumentam um ponto, sua nua arte, para-raios, julgadas nuvens, estratos, não repente, tato tutti-frutti, titus andronicus, mar em Florença, surgiam senão nele, latejante inferno. Luna crateras, com que, lhe amofina, que esta, chegaremos. sonoridade. se que sabeis, lábia se todo fêmea as grandes. por modo, humano. Mulher vingada. Cavalos no cio. Na lanterna mágica apresentar-nos raios vermelhos, lascivos. Contra o fundo lilás. As levados a apaixonados, o Arno arde no Mediterrâneo. Se infinidade daquele um surgiam do, sol e sinos – ela, Lavínia, procura por suas mãos e lingua, do perverso escrito, com que, de findo, a escuridão. Como que de apaixonados para o, etéreo reconstruir...

(texto: beto palaio, misturados na máquina de cut-up do burroughs)

[Picture: A Woman torn in peices by the Devil. pa. 14.]
Robert Burton, Prodígios Exemplares de Julgamento e Misericordia, 1685


terça-feira, 19 de julho de 2011


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whiplashgirlchild:  My two favorite stanzas from Sylvia Plath’s poem “Lady Lazarus.” This is a picture I took of Plath’s original manuscript of the poem.
Um trecho de Lady Lazarus.


Lady Lázaro=Eu o fiz de novoUm ano em cada dezEu agüentoUm tipo de milagre ambulante, minha peleBrilhante tal qual um abajur nazistaMeu pé direitoUm peso de papel,Minha face, como um pano inexpressivo, delicadoEm linho judeu.Tire o lençoÓ, meu inimigoEu te assusto?O nariz, o orifício ocular, a dentição plena?O hálito azedoSe esvairá em um dia.Logo, logo a carneQue a gruta do túmulo comeu se sentiráEm casa sobre mimE eu, uma mulher sorridente.Eu, com apenas trinta anos.E como o gato tenho nove vezes para morrerEsta é o número três.Que lixoAniquilar a cada década.Que milhões de filamentos.A multidão vulgarSe acotovela para verEles me desembrulharem mão e pé.O grande strip tease Senhores, senhorasEis as minhas mãosEis os meus joelhos.Posso ser pele e ossoContudo, sou a mesma, idêntica mulher.Na primeira vez que aconteceu eu tinha dez anos.Foi um acidente.Na segunda vez eu pretendiAgüentar e nem sequer voltar.Eu fechei em pedraComo uma concha do mar.Eles tiveram que chamar e chamarE arrancar de mim os vermes, pérolas grudentas.MorrerÉ uma arte como todo o resto.Eu o faço excepcionalmente bem.Eu o faço para saber o inferno.Eu o faço para saber a real.Eu suponho que se possa dizer que eu tenho um chamado.É fácil fazê-lo em uma cela.É fácil fazê-lo e permanecer estático.É o teátricoRetorno, em plena luz do diaAo mesmo lugar, ao mesmo rosto, aos mesmos brutosEntretidos gritando“um milagre!”Isso me estarrece.Há um custoPara ver as minhas cicatrizes, há um custoPara sentir o meu coraçãoEle realmente pulsa.E há um custo, um grande custoPor uma palavra, ou um toqueOu um pouco de sangueOu um pedaço do meu cabelo ou um pedaço da minha roupa.Então, então, Herr Doktor.Então, Herr Inimigo.Eu sou sua composiçãoEu sou seu pertenceO bebê de ouro puroQue derrete a um grito estridente.Eu me viro e ardo.Não pense que eu subestimo sua grande preocupação.Cinzas, cinzasVocê cutuca e revolve.Carne, osso, não há nada lá.Um sabonete,Uma aliança,Um dente de ouro.Herr Deus, Herr LúciferCuidadoCuidado.De dentro das cinzasEu desponto, meu cabelo em fogoE devoro homens como ar.=Sylvia Plath



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