quinta-feira, 7 de julho de 2011


COELHINHO OU COELHÃO?

Em 1999, quando fui publicado pela primeira vez na Rússia (tiragem de 3.000 exemplares), o país logo enfrentou uma crise de fornecimento de papel. Por acaso, descobri uma edição “pirata” de “O Alquimista” e postei na minha página. Um ano depois, a crise já solucionada, eu vendia 10 mil cópias.

Chegamos a 2002 com 1 milhão de cópias; hoje, tenho mais de 12 milhões de livros naquele país.

Quando cruzei a Rússia de trem, encontrei várias pessoas que diziam ter tido o primeiro contato com meu trabalho por meio daquela cópia “pirata” na minha página.

Hoje, mantenho o “Pirate Coelho”, colocando endereços (URLs) de livros meus que estão em sites de compartilhamento de arquivos. E minhas vendagens só fazem crescer – cerca de 140 milhões de exemplares no mundo.
Quando você come uma laranja, precisa voltar para comprar outra. Nesse caso, faz sentido cobrar no momento da venda do produto.

No caso da arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas, sim, a idéia que nasce da combinação desses produtos. A “pirataria” é o seu primeiro contato com o trabalho do artista. Se a idéia for boa, você gostará de tê-la em sua casa; uma idéia consistente não precisa de proteção.

O resto é ganância ou ignorância.

Paulo Coelho

CLIQUE: "Pirateiem meus livros", de Paulo Coelho.

Um comentário:

Sandrio cândido. disse...

concordo, mas lembremos que é paulo coelho